Marcisa Bayma é uma artista plástica de nacionalidade portuguesa radicada em Viana do Castelo desde 2009, cidade onde consolidou o seu percurso artístico e desenvolveu uma profunda ligação ao património cultural e identitário do Minho, que constitui hoje a principal fonte de inspiração do seu trabalho.
Autodidacta nas artes visuais, dedica-se de forma intensa e continuada à pintura desde 2013, período a partir do qual iniciou uma investigação pessoal centrada na experimentação de texturas, volumes, relevos e efeitos de luz. Dessa pesquisa nasceu uma linguagem própria, que designou Filigrana em Tela, técnica autoral que combina pintura acrílica com construção tridimensional sobre tela, criando superfícies em relevo que evocam a delicadeza e a minúcia da filigrana tradicional portuguesa.
Distinguindo-se por uma abordagem rigorosa aos materiais, trabalha exclusivamente com produtos de Belas-Artes, sem recurso a colagens, purpurinas ou elementos industriais como linhas e massas o que confere autenticidade, durabilidade e coerência plástica às suas obras. O resultado situa-se entre a pintura e a escultura, com peças de forte presença visual, riqueza ornamental e acabamento minucioso feitos com seringas e agulhas, espatulas e pincéis.
A simbologia regional assume um papel central na sua produção artística. O Coração de Viana, ícone maior da tradição minhota, surge frequentemente reinterpretado nas suas composições como elemento estruturante de narrativas afectivas, espirituais e culturais. Nas suas telas, o símbolo transforma-se em espaço de memória, fé, protecção e pertença, dialogando com temas como a maternidade, a religiosidade, a tradição popular e o património.
Paralelamente à sua actividade artística, possui formação académica em História, com mestrado na área da identificação patrimonial, e exerce funções como professora de música e instrumentista, áreas que influenciam a sua sensibilidade estética, o sentido de ritmo e a harmonia cromática presentes no processo criativo. Para a artista, pintura e música são linguagens complementares de expressão emocional e sentimental.
Ao longo do seu percurso, tem desenvolvido séries temáticas e peças únicas, várias das quais registadas com direitos de autor, participando igualmente em feiras, mostras culturais e iniciativas artísticas locais e internacionais. No seu atelier, em Viana do Castelo, continua a produzir obras exclusivas e encomendas personalizadas, afirmando uma prática que cruza tradição e contemporaneidade, artesanato e arte plástica, memória colectiva e expressão pessoal.
